Comida viva: outro jeito de encarar os alimentos

Todos adoramos o conforto de uma sopa quentinha no inverno, certo? Pode ter certeza de que ela vai continuar existindo e fazendo muito bem para o nosso corpo mas, que tal olhar com mais carinho para os alimentos crus?

O crudivorismo ou a alimentação viva passa longe dos processados e aposta em uma dieta baseada em alimentos crus. O objetivo dessa dieta, que pode ser ou não vegetariana ou vegana, é absorver quase tudo o que um determinado alimento tem para oferecer. Mas isso não significa que você tenha que comer só coisas frias para sempre. Os alimentos podem ser aquecidos até 49º C sem danificar ou destruir as enzimas que dão aquela força para a nossa digestão. É que quando a gente se alimenta (para mim essa hora tem um conceito diferente do que simplesmente comer ou ingerir algo) é legal ter em mente o processo inteiro, desde o momento que o alimento entra no nosso corpo até a hora que ele sai. Se possível, claro, sabendo sua origem, se é orgânico, se vem de produtores locais entre outras coisas.

Consumir alimentos crus faz com que a gente aproveite melhor o potencial de cada um deles. É mais vida entrando na gente e isso faz bastante diferença no fim das contas. Parece improvável, mas muita coisa pode ser facilmente lida na natureza. As raízes e tubérculos, como a batata, crescem sob a terra e por isso são ótimos para comer naqueles momentos em que estamos aéreos, precisando “aterrar” um pouco. As folhas mais guerreiras, como as ervas daninhas que crescem em qualquer lugar, podem nos dar força e energia em um daqueles dias difíceis.

Outra coisa muito rica e presente na alimentação crua são os germinados. Grosso modo, germinar significa trazer à vida. O que acontece é que quando as sementes e os grãos são colhidos eles adormecem, mas a gente pode ajudá-los a despertar novamente. E pode ser bem simples, olha só:

Lave um pouco de lentilha (pode ser grão-de-bico, feijão azuki ou trigo sarraceno), coloque em um pote de vidro e cubra com água filtrada (deixe três dedos a mais). Depois, tampe com um pedaço de tule ou tela de tecido e prenda com elástico ou barbante.

Deixe repousar de 6 a 8 horas, mas longe do sol. Escorra a água, lave as lentilhas, escorra de novo e deixe o pote na horizontal ou levemente na diagonal com a boca para baixo (assim a água que sobrar vai escorrendo aos poucos). Repita esse processo três vezes ao dia durante dois dias. No segundo, você vai ver os brotinhos saindo ou a vida brotando. Aí já dá para comer puro, na salada, na sopa ou como preferir. O grão-de-bico é um cara mais durão, demora um pouquinho mais para brotar. No frio, o processo pode ser um pouco mais lento também, pois os grãos e sementes ficam um pouquinho preguiçosos. Isso é a vida!

Quando você for cozinhar os grãos, procure sempre fazer aquilo que a sua avó fazia: deixe de molho na água durante a noite. Assim, eles dão uma leve despertada para a vida antes de ferver (só não esqueça de trocar a água antes de cozinhá-los).

Curiosidades – O cara que começou a desenvolver a alimentação crudívora como tratamento de saúde no final do século 19 foi o médico suíço Maximilian Bircher-Benner, que também inventou o muesli, aquela combinação de cereais. Ele iniciou diversos experimentos sobre os efeitos dos vegetais crus na saúde das pessoas depois de se curar de uma icterícia alimentando-se apenas com maçãs cruas.

Hoje, um dos maiores defensores e estudiosos da alimentação viva é o médico Gabriel Cousens, da The Tree Of Life (treeoflifecenterus.com), que já publicou diversos livros sobre o assunto. Por aqui, Daniel Francisco de Assis, da Comida Ecológica (comidaecologica.com.br) é um dos maiores divulgadores. Em seu livro Suco Vivo ele explica de um jeito bem fácil como germinar e fazer brotar usando tabelas do tempo de cada semente ou grão.

 

 

Ilustração: Clarissa Luz

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