Saiba o que as bactérias do bem podem fazer por você

Já ouviu falar da expressão “good cop, bad cop” (policial bom, policial mau, em inglês)? Pois é, esta tática de interrogatório americana já foi vista em muitos filmes.  Mas o  que ela tem a ver com as queridas bactérias, as anciãs da vida na Terra? Muitas coisas. É o que vou tentar explicar neste texto. 

Pois bem, costumamos tomar antibióticos para combater os microorganismos ruins que nos atacam vez ou outra, mas não podemos esquecer que o nosso corpo abriga (e precisa) de vários deles. Nossa flora intestinal, por exemplo, é rica em bactérias do bem que ajudam na digestão, ou melhor, que fazem com que ela aconteça. É aí que entram os probióticos, as fofuras pró-vida.

As bactérias são a primeira forma de vida conhecida aqui na Terra, logo, são os microorganismos que começaram tudo e possibilitaram muitas transformações químicas e biológicas, até a formação do DNA e a evolução das espécies. Elas são aquela única célula que, de alguma forma, deu origem aos organismos multicelulares. Andrew Knoll, biólogo e autor do livro Life on a Young Planet: The First Three Billion Years of Life, até diz que “para cada ciclo de um elemento biologicamente importante, a bactéria é necessária. Organismos como nós, são opcionais.”

As bactérias são a força que protege o DNA e o nosso sistema imunológico. São amigas da nossa pele, da saúde vaginal, do sistema digestivo, nos ajudam contra infecções urinárias, alergias, resfriados e a controlar o colesterol ruim. Muitos prós, sem contras.

A gente convive com elas diariamente na nossa alimentação, nos iogurtes, em alguns fermentados, nos queijos. O kefir e a kombucha, por exemplo, são colônias de bactérias poderosíssimas e fermentos, ricas nas espécies Lactobacillus (kefir) e Gluconacetobacter xylinus (kombucha) e incluem um ritual de cultivo que pode ser legal se olharmos para ele não como ‘dá trabalho e toma o meu tempo’, mas como ‘algo que estou fazendo em meu benefício’. A água usada para esse cultivo é fermentada pelos grãos de kefir ou pelo scoby da kombucha e viram um chá delicioso e saudável principalmente para nós mulheres (é muito bom para ovários policísticos e problemas similares). O kefir não é comercializado – como a colônia vai se multiplicando com o tempo, as pessoas costumam doá-lo. Por favor, se alguém tiver kefir de água para doar manifeste-se aqui. Vamos dar uma chance para os good cops!

Ando viciada no iogurte de coco sem lactose, feito com leite de coco caseiro e cápsulas de probióticos. Eu uso o Probiotic-10 25 billion da Now Foods mas o 20bi Suplemento Probiótico da Eurofarma funciona bem também. E é simples assim ó:

 

Leite de coco

1 coco seco ralado + a mesma quantidade de água morna. Deixe o coco ralado de molho na água por meia hora depois bata no liquidificador por cinco minutos. Coe usando um coador de pano ou um pano de prato limpo. Se preferir um iogurte mais grosso, coloque menos água.

 

Iogurte para cada 250 ml de leite de coco

½ colher de chá de ágar-ágar

1 cápsula de probiótico

½ colher de sopa de mel, melado de cana, xarope de agave, maple ou outra coisa que você goste para adoçar.

Modo de preparo:

Coloque o leite de coco numa panela e polvilhe com metade do ágar-ágar sem mexer. Leve ao fogo médio até que o leite levante fervura. Mexa com um fouet, reduza o fogo e acrescente o restante do  ágar-ágar. Deixe cozinhar por 5 a 10 minutos até que esteja completamente dissolvido. Desligue o fogo e, quando o leite estiver morno, coloque o pó do probiótico sem a cápsula e mexa com o fouet. Acrescente o mel e, se quiser, um pouco de baunilha e mexa novamente. Distribua em potes de vidro com tampa e deixe no forno desligado mas com a luz acesa de 12 a 24 horas sem mexer. Espertas, as bactérias gostam de trabalhar em paz, em ambientes mais quentinhos, portanto, segure a sua ansiedade.

Depois dessas horas todas, tire os potes do forno e leve-os para a geladeira por pelo menos 6 horas antes de consumir. Quanto mais o tempo passa, mais azedinho o iogurte vai ficando. É normal que o iogurte separe em duas partes (uma branca por cima e uma transparente por baixo),  mas basta mexer que tudo volta ao normal. Na hora de consumir, não precisa ter medo. É só lembrar que os probióticos são usados no processo de fermentação de conservas e queijos, mantendo-os bons para o consumo por mais tempo.

Dura cerca de três semanas na geladeira. 

Dica: Você pode substituir o leite de coco por leite de amêndoas, castanhas ou sementes e ainda saborizar o iogurte com alecrim, lavanda, manjericão, fava de baunilha etc.

Divirta-se!

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Fotos: Croc e Croc/Camila Rotta

Produção: Croc e Croc/Clarissa Luz

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